exposições 2009

•Maio 18, 2008 • 2 Comentários

realidades imprecisas

Realidades Imprecisas

curadoria Carolina Soares

SESC Pinheiros, São Paulo SP Brasil

Entender que estão as palavras a cumprirem o papel de nomear as coisas do mundo significa inferir a realidade por intermédio de convenções simbólicas para com ela nos relacionarmos. Ainda que evoquem a idéia de sucedâneas do real, as palavras levam a um conhecer que se faz de modo representacional. Ou seja, mesmo diante da naturalidade com que se dá o processo de aprendizagem (torna-se lugar-comum enfatizar que “árvore” – ao ser pronunciada – traz à mente, de modo quase simultâneo, a imagem do objeto ao qual faz referência), a natureza das coisas é tangenciada por mecanismos de re-apresentação do mundo.
Se é possível falar de um automatismo convencional pelas palavras, ele serve de ponto de distinção sobre a realidade do objeto de arte contemporânea cuja compreensão de suas relações internas se dá a partir de aproximações com outros âmbitos da experiência. O campo agora requisitado é o da re-significação das coisas. O enunciado pelas palavras é ampliado em seu caráter conotativo para abarcar outros sentidos. A precisão com que o universo lingüístico trabalha os signos é transmutada prevalecendo agora o seu oposto, a imprecisão.

(…)

Do reconhecer-se no mundo resulta impressões individuais em que o sujeito passa a lidar, de modo singular, com a realidade para dela produzir desdobramentos. Nesse descobrir a si mesmo, experiências são acumuladas e transferidas à memória, ao desejo, ao afeto… E é a partir do contato com esse campo sensível que a arte contemporânea se faz. Diante dos trabalhos aqui sugeridos como Realidades Imprecisas o observador é requerido a todo instante como uma possibilidade repensar os próprios procedimentos e limites da arte.

Tatiana Ferraz
Em meio a uma natureza subtraída e re-configurada pela ação do Homem, surgem as cidades. Artificiais, elas refletem o desenho dos desígnios humanos. Precisos ou não, são neles que Tatiana Ferraz detém sua atenção. Seus trabalhos em marchetaria sintetizam formas abstraídas por um olhar atento aos planos urbanos.

Tatiana Ferraz

A série Observatórios, como o próprio título sugere, é exemplar enquanto metáfora dessa ação: um lugar de onde fosse possível observar a qualquer coisa é a proposta do trabalho em que a intervenção se faz pelo ato de olhar.

Carolina Soares

 
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